Por Beatriz Ciriaco
Head de Produto e Expansão
Durante décadas, a principal pergunta na compra de um imóvel era: “quantas vagas de garagem esse apartamento tem?”, mas a geração que está comprando imóveis hoje quer saber “quanto tempo esse apartamento me economiza?”. Esse novo consumidor é muito mais crítico e, mais do que um lugar para morar, busca praticidade, otimização de espaços e uma rotina rica em experiências, em vez do acúmulo de bens. Não por acaso, o mercado de imóveis compactos nunca foi tão promissor.
Foi observando esse comportamento que nasceu a BE, A Moradia do Futuro, pioneira no mercado de studios na cidade de Maringá e que possui mais de 800 unidades desse modelo já lançadas na cidade. A BE entendeu desde cedo que os imóveis compactos só fazem sentido se reduzirem a necessidade de deslocamento para realizar a maioria das atividades rotineiras. Essa lógica é reconhecida internacionalmente, já que localização é um dos critérios avaliados pela certificação de saúde e bem-estar Well. A certificadora mede a oferta de serviços até um raio de até 800 m de distância do empreendimento, o que inclui farmácias, bares, supermercados, restaurantes e áreas de lazer.
O impacto da mobilidade na qualidade de vida é tão significativo que o brasileiro destina, em média, 14,6% do seu salário aos meios de transporte (Summit Mobilidade Urbana, 2019) e passa aproximadamente 32 dias do ano em deslocamentos (Brain, 2019). Empreendimentos bem localizados geram economia financeira, diminuem a dependência de automóveis e devolvem tempo de qualidade para o seu morador. Quando a rotina acontece a poucos minutos de casa, a garagem deixa de ser protagonista no edifício e na vida dessa geração. No Rio Grande do Sul, o número de habilitações emitidas para jovens de 18 a 25 anos caiu 52,9% entre 2014 e 2024. Essa queda pode estar relacionada a mudanças no interesse pela posse do automóvel e nas formas de deslocamento.
Acompanhando esse movimento que já era consolidado nos grandes centros urbanos, em agosto de 2024, a legislação de Maringá passou a permitir que apartamentos com até 60 m² localizados no macrozoneamento central obedeçam à proporção mínima de 1 vaga de estacionamento para cada 2 unidades habitacionais. A cidade acompanha uma realidade consolidada em grandes centros: Curitiba obedece à proporção mínima de 1 vaga a cada 4 unidades habitacionais. Já na cidade de São Paulo, 58% dos novos empreendimentos não possuem garagem (Secovi, 2025), esses que, na imensa maioria dos casos, estão localizados em regiões de alta mobilidade urbana com facilidade de acesso ao transporte coletivo (ônibus, metrôs e trens) e a modais alternativos como bicicletas e patinetes. Esses dados reforçam, que quanto mais compacto e melhor localizado um imóvel, menor tende a ser a necessidade de vagas de garagem.
A Linha BE, alinhada às transformações habitacionais contemporâneas, incorpora essa lógica nos empreendimentos BE São Paulo e BE Dumont. Ambos estão localizados no macrozoneamento central, a poucos metros de diversos tipos de serviço, alta mobilidade urbana e fácil acesso à malha cicloviária de Maringá. As vagas de ambos os empreendimentos contam como parte da área comum do edifício e funcionam em sistema rotativo, com direito de uso pelos proprietários.
Esse não é um modelo que deve atingir todo o mercado imobiliário. O apartamento tradicional continuará atendendo quem precisa só de mais espaço. Mas o consumidor que escolhe uma moradia compacta está trocando horas de deslocamento por mais qualidade de vida. O futuro da habitação não será marcado pela ausência de garagem, mas por imóveis que estão em localizações tão inteligentes que o estacionamento em casa deixará de ser uma necessidade para se tornar apenas uma opção.



