Por Danielle Longo
Squad Leader | Departamento Pessoal
Por Amanda Matsudo de Castro
Squad | Departamento Pessoal
Escassez de mão de obra na construção civil exige novos caminhos de qualificação e entrada no setor.
Uma das profissões mais importantes do canteiro de obras está se tornando cada vez mais difícil de encontrar: a de mestre de obras.
Isso não acontece porque a construção civil precisa menos desse profissional, muito pelo contrário. Durante décadas, a formação do mestre de obras aconteceu principalmente dentro do próprio canteiro. Muitos começavam como ajudantes, tornavam-se operários, assumiam a função de encarregados e, com experiência e conhecimento prático, chegavam ao cargo de mestre de obras. Um caminho de carreira construído na prática, tijolo por tijolo.
Só que esse caminho de aprendizagem foi ficando cada vez menos frequente. Como consequência, hoje faltam profissionais preparados para assumir uma das funções mais importantes na rotina do canteiro e na condução diária das obras.
Esse é apenas um exemplo de um problema que atinge toda a construção civil. Pesquisas recentes mostram que mais de 69% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar ou reter profissionais. Outro levantamento, realizado com construtoras de diferentes regiões do país, aponta que 90% delas enfrentam a escassez de mão de obra qualificada, considerada hoje um dos principais entraves à produtividade. O desafio se torna ainda mais evidente porque a construção civil continua crescendo.
Em Maringá, esse cenário é ainda mais visível. A cidade soma 97 prédios residenciais em construção, o maior número registrado nos últimos anos, além de quase 12 mil apartamentos em execução e cerca de 12 mil trabalhadores formais empregados na construção civil local. É a Cidade Canção literalmente em obras. À medida que esse mercado cresce, aumenta também a necessidade de profissionais qualificados para acompanhar o ritmo das obras e sustentar o desenvolvimento do setor.
Novas tecnologias exigem novas competências
A construção civil atual reúne processos cada vez mais tecnológicos, integrados e especializados. BIM, industrialização, gestão de dados, canteiros mais eficientes e padrões mais rigorosos de segurança já fazem parte da realidade do setor, um padrão bem mais exigente do que no passado.
O profissional que o setor precisa hoje deve combinar conhecimento técnico, experiência operacional, domínio de novas tecnologias e capacidade de gestão. O problema é que esse perfil ainda não está sendo formado na quantidade necessária para atender à demanda do mercado.
A pergunta mais comum é: onde estão os profissionais? Mas, no meu ponto de vista, existe uma pergunta ainda mais importante: quem está formando os profissionais que o setor exige hoje e exigirá nos próximos anos?
A resposta não é uma vaga aberta.
Contratar mais rápido, sozinho, não resolve o problema. Isso apenas aumenta a disputa pelos mesmos profissionais disponíveis no mercado. A solução exige a aproximação entre empresas, formações técnicas, universidades e entidades do setor para criar caminhos mais claros de entrada, formação e desenvolvimento profissional.
Na prática, isso envolve:
- Formação dentro da empresa: programas de capacitação técnica que complementem o onboarding e criem trilhas reais de desenvolvimento.
- Integração mais estruturada: os primeiros meses são fundamentais para a adaptação, o aprendizado e a permanência dos profissionais.
- Desenvolvimento de lideranças: preparar hoje os encarregados, líderes de campo e mestres de obras de que o setor precisará no futuro.
- Caminhos de carreira claros: mostrar a quem entra no setor quais possibilidades de crescimento existem e quais competências são necessárias para avançar.
- Reconhecimento: valorizar quem cresce dentro de casa, não só quem chega pronto de fora.
- Segurança e qualidade do ambiente de trabalho: garantir um canteiro seguro e bem cuidado também é estratégia de retenção.
- Valorização das carreiras da construção civil: o setor precisa ser apresentado como uma escolha profissional com possibilidades reais de aprendizado, crescimento e desenvolvimento.
Nenhum desses pontos resolve a escassez sozinho. Juntos, formam a diferença entre esperar passivamente que o mercado resolva e assumir um papel ativo na formação do setor.
Como a BE participa desse movimento
Na BE, jovens aprendizes, estagiários e profissionais recém-formados encontram oportunidades de entrada e desenvolvimento no mercado da construção civil. Como uma empresa jovem, entendemos que abrir espaço para novos profissionais também contribui para a renovação e o desenvolvimento do setor.
Uma dessas trajetórias é a de Evandro Rodrigues, atual CEO da BE.
Evandro iniciou sua trajetória profissional como estagiário no setor da construção civil e avançou por diferentes funções até chegar à liderança da empresa. Essa trajetória diz mais sobre a nossa cultura do que qualquer discurso institucional poderia dizer.
A formação de novos profissionais não é um projeto paralelo por aqui, é parte de como a gente constrói.
Em áreas estratégicas, há profissionais que começaram como estagiários, assumiram novas responsabilidades e hoje participam do desenvolvimento de outras pessoas.
No canteiro de obras, essa formação também acontece por meio da prática, do acompanhamento e da troca de conhecimento entre profissionais mais experientes e quem está começando. Além de contratar profissionais experientes, a BE também busca identificar pessoas com potencial e oferecer oportunidades para que desenvolvam novas competências dentro da empresa.
Para a BE, A Moradia do Futuro, contribuir com a evolução da construção civil também passa pela formação e pelo desenvolvimento das pessoas que participam desse processo.
O futuro da construção exige ação conjunta
Programas de aprendizagem, parcerias com escolas técnicas, experiências práticas dentro do canteiro e trilhas de capacitação interna criam benefícios para todos.
Quem está começando encontra uma porta de entrada no setor, enquanto a construção civil amplia a formação de profissionais qualificados.
A escassez de mão de obra na construção civil é real, mas também representa um convite para que empresas, instituições de ensino e entidades do setor atuem juntas na formação dos profissionais que construirão o futuro.
Referências
O DIA – Construção civil prevê expansão em 2026, mas enfrenta falta de mão de obra qualificada.



